Projeto hidrossanitário: por onde a água entra, sai e por onde vaza
O que o projeto hidrossanitário de uma casa inclui, onde nascem vazamento, cheiro de esgoto e chuveiro fraco, e quem assina. Entenda antes de construir.
A água não aceita improviso, e a conta dela chega pelo acabamento. É a mancha no teto da sala abaixo da suíte, o cheiro de esgoto que sobe do ralo numa casa recém-entregue, o chuveiro do andar de cima que perde força. Quase sempre, a origem está numa decisão do projeto hidrossanitário que foi mal tomada, ou que ninguém tomou.
Cada uma dessas falhas tem endereço certo. Por isso vale seguir o caminho da água, por onde ela entra, sai e vaza, e ver o que o projeto define em cada trecho.
O que é projeto hidrossanitário?
Projeto hidrossanitário é o conjunto de cálculos, desenhos e especificações que define como a água chega, circula e sai de uma edificação: água fria, água quente, esgoto sanitário, ventilação e águas pluviais. Ele dimensiona tubulações e reservatórios, traça o caminho de cada rede e é assinado por profissional habilitado, que registra a responsabilidade técnica pelo projeto.
O nome junta as instalações hidráulicas e sanitárias de uma residência: a parte hidráulica leva água fria e quente a cada ponto de uso; a sanitária recolhe o que foi usado e a chuva. Cada rede segue uma norma brasileira própria: NBR 5626 (água fria e quente), NBR 8160 (esgoto sanitário) e NBR 10844 (águas pluviais).
O que o projeto hidrossanitário de uma casa inclui?
O projeto cobre cada rede do ponto em que a água entra no lote até o ponto em que o esgoto e a chuva saem dele:
- Água fria. Entrada, hidrômetro, reservatórios, barrilete (os tubos que saem da caixa d'água e distribuem para a casa), prumadas e ramais até cada ponto de uso.
- Água quente. O sistema de aquecimento, a distribuição e, quando previsto, o circuito de retorno.
- Esgoto sanitário e ventilação. Ramais, caixas sifonadas, tubos de queda, colunas de ventilação, caixas de inspeção e a ligação com o destino final.
- Águas pluviais. Calhas, condutores e ralos das áreas externas.
- Reuso e aproveitamento de chuva, quando fizer sentido, sempre em rede separada da água potável.
O que chega à obra são as plantas de cada rede por pavimento, os isométricos (desenhos em perspectiva de cada ramal), os detalhes de shafts e caixas, o memorial descritivo e a lista de materiais. Numa casa de alto padrão, com suítes, área gourmet, piscina e jardim, tudo isso precisa caber nas paredes e nos forros que a arquitetura desenhou.
Por onde a água entra: pressão e água quente
A água chega pela rede pública, que em Salvador é operada pela Embasa, passa pelo hidrômetro e segue para o reservatório. Dali desce pelo barrilete e pelas prumadas (as tubulações verticais) até os ramais de cada ambiente.
Com reservatório no alto, pressão é questão de desnível: quanto menor a altura entre o fundo da caixa d'água e o chuveiro, menos força chega ao banho. Por isso o chuveiro do pavimento superior costuma ser o mais fraco da casa. O projeto pode elevar o reservatório, dimensionar barrilete e ramais para vários pontos abertos juntos ou prever um pressurizador, a bomba que mantém a pressão onde ela falta.
Na água quente, a reclamação mais frequente é a espera: a água parada no tubo esfriou, e é ela que sai primeiro. O projeto responde aproximando o aquecimento dos pontos de maior uso ou prevendo o retorno, um circuito que mantém a água quente circulando até o registro.
Por onde a água sai: esgoto, ventilação e chuva
O esgoto funciona por gravidade. Cada ramal precisa de caimento contínuo até o tubo de queda, sem trecho plano. Nos banheiros do pavimento superior, esse caimento define a altura do forro do ambiente de baixo; quando não está no projeto, a tubulação acaba disputando espaço com a viga.
A ventilação é a parte menos conhecida do sistema. Todo ralo sifonado e todo vaso têm um fecho hídrico, a lâmina de água no sifão que bloqueia os gases da rede. Sem coluna de ventilação, a descarga de um vaso cria sucção, esvazia esse fecho em outro ponto e abre caminho para o cheiro. O ralo que borbulha com a descarga do banheiro ao lado está avisando isso.
A chuva é a terceira saída. Cobertura grande, laje impermeabilizada e varandas pedem calha, condutor e ralo dimensionados. Calha pequena transborda para dentro do forro.
Por onde ela vaza: as falhas que nascem no projeto
Vazamento raramente é culpa só de quem instalou. Muitas vezes, vem de uma decisão que o projeto deixou em aberto:
- Prumada embutida sem shaft. Tubo vertical chumbado na alvenaria não tem acesso, e uma conexão com defeito obriga a quebrar revestimento. O shaft (duto vertical fechado, com painel removível) permite inspecionar e trocar sem obra.
- Tubo atravessando viga sem previsão. O furo aberto depois da concretagem enfraquece a peça. Quando a passagem está prevista no projeto estrutural, ela é conferida no cálculo e deixada na forma antes do concreto.
- Ralo sem caimento cotado. Box e varanda sem inclinação acumulam água, que encontra a junta do revestimento e desce.
- Conexão sem acesso. Registro atrás de armário fixo, caixa sifonada sob bancada de pedra, válvula em forro de gesso sem alçapão. Tudo funciona até a primeira manutenção.
- Área molhada sem detalhe de impermeabilização. Até onde a manta sobe na parede, como contorna o ralo, como veda o tubo que a atravessa: é no encontro que a água passa.
O que une essas falhas é a falta de compatibilização. A compatibilização dos projetos confere, ainda no papel, se tubo, viga, forro e esquadria cabem no mesmo lugar. Começar a obra sem o executivo compatibilizado é o primeiro dos erros que arruínam uma obra de alto padrão.
Quem faz o projeto hidrossanitário?
O projeto hidrossanitário é feito por profissional legalmente habilitado. O engenheiro civil, registrado no CREA (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia), registra a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica); a Lei federal 6.496/1977 sujeita à ART todo contrato de obra ou serviço de engenharia. O arquiteto também pode fazê-lo, conforme a Resolução 21/2012 do CAU/BR (Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil), e registra o RRT (Registro de Responsabilidade Técnica).
Pergunte também quem acompanha a execução: o melhor traçado se perde quando o instalador muda o caminho do tubo ou o shaft some porque o armário cresceu. Na Diego Viana, quem projeta e assina o hidrossanitário é um engenheiro da nossa equipe. Ele é desenhado em conjunto com o arquitetônico e o elétrico, compatibilizado com o estrutural, e a mesma equipe que desenha o projeto acompanha a construção, com engenheiro com CREA-BA e ART na disciplina.
É assim que desenvolvemos o projeto hidrossanitário em Salvador e na Bahia, dentro dos projetos de engenharia e arquitetura que coordenamos do começo ao fim.
Quanto custa um projeto hidrossanitário residencial?
O valor de um projeto hidrossanitário residencial depende do que a casa pede, não só da área. Pesam o número de banheiros e de pontos de consumo, o tipo de aquecimento, a presença de piscina, irrigação ou reuso e o nível de detalhamento. Duas casas com a mesma metragem podem ter projetos bem diferentes.
Por isso o valor certo sai do projeto da sua casa, e não de uma tabela. Com a planta em mãos, conseguimos dizer o que ele vai pedir; se quiser esse número, peça um orçamento. E o projeto custa menos do que corrigir um vazamento embutido em parede revestida.
Perguntas frequentes
Projeto hidráulico e projeto hidrossanitário são a mesma coisa?
No mercado, os dois nomes costumam designar o mesmo conjunto. A rigor, o hidráulico trata da água fria e quente, e o hidrossanitário acrescenta esgoto, ventilação e águas pluviais. Confira na proposta quais redes estão incluídas: sem a parte sanitária, fica de fora justamente o que costuma causar cheiro e infiltração.
O projeto hidrossanitário inclui a piscina?
Depende do escopo contratado, e vale deixar isso escrito na proposta. A casa de máquinas, com filtro, bomba e recirculação, muitas vezes tem projeto próprio do fornecedor do equipamento. Já o abastecimento, o descarte da lavagem do filtro e a drenagem do entorno precisam estar no projeto hidrossanitário da casa.
Vale a pena prever reuso de água ou aproveitamento de chuva numa casa?
Vale estudar, e a decisão cabe no projeto, não depois dele. Aproveitar a chuva para irrigação, lavagem e descarga faz mais sentido em casa com cobertura grande e jardim extenso. O sistema exige rede separada da água potável, reservatório próprio e pontos identificados. Instalado depois da obra, pede tubulação nova em parede pronta.
Por que o banheiro cheira a esgoto mesmo com tudo novo?
Em geral, por falta de ventilação na rede de esgoto ou por um fecho hídrico que se perdeu. Ralo seco, em banheiro pouco usado, tem o mesmo efeito da sucção: a água do sifão some e o gás sobe. Vedação mal feita na base do vaso também causa cheiro.
Fontes:
- Lei federal 6.496/1977 (ART): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l6496.htm
- Resolução CAU/BR 21/2012, item 1.5.1: https://transparencia.caubr.gov.br/resolucao21/
- ABNT NBR 5626, NBR 8160 e NBR 10844: https://www.abntcatalogo.com.br/
Vamos conversar sobre a sua obra
Se o arquitetônico da sua casa ainda está em desenvolvimento, o projeto hidrossanitário rende mais agora, enquanto prumadas, shafts e reservatório ainda cabem onde precisam. Traga a planta e conte a rotina da família: quantos banhos ao mesmo tempo, se haverá piscina, banheira ou jardim.
Somos a Diego Viana Engenharia, com mais de 400 ARTs emitidas, mais de 200 mil m² construídos e mais de R$ 8 milhões economizados para clientes. A mesma equipe que desenha a rede acompanha a obra, e o engenheiro que projeta a rede confere a instalação antes de a parede fechar. Agende uma conversa, sem compromisso e sem pressão, pelo WhatsApp ou pela página de contato.
